IGC alerta para impacto severo na segurança alimentar e custos agrícolas se conflito no Golfo for prolongado
Bloqueio de Ormuz ameaça 35% das exportações mundiais de ureia e pode forçar revisão na produtividade das safras globais
O Conselho Internacional de Grãos (IGC) emitiu um alerta nesta quinta-feira (19) sobre os riscos profundos que uma guerra prolongada entre os EUA/Israel e o Irã representa para as cadeias globais de suprimento agrícola. Segundo o relatório de março da entidade, o Estreito de Ormuz é um gargalo insubstituível não apenas para a energia, mas para os fertilizantes, respondendo por até 35% das exportações globais de ureia e 30% das de amônia. O IGC destaca que, embora os produtores do Hemisfério Norte estejam relativamente cobertos para o plantio de primavera, a continuidade da crise deve forçar uma reavaliação nas taxas de aplicação de nutrientes devido à disparada dos custos, impactando diretamente os rendimentos e a qualidade das colheitas no final do ano, com Ásia e África sendo as regiões mais vulneráveis. Além disso, a segurança alimentar local está sob risco imediato, dado que os países do Golfo Pérsico dependem da entrada mensal de 2 milhões de toneladas de grãos e oleaginosas através do estreito. Em suas projeções para a safra 2026/27, o Conselho prevê uma queda de 2% na produção mundial de trigo, enquanto o consumo global deve bater recorde pelo quarto ano consecutivo, reduzindo os estoques finais em 3,5%. O índice de preços IGC GOI já reflete o choque inicial, com alta mensal de 1% liderada pelo salto de quase 6% no trigo, acumulando uma valorização anual de 3,2%.
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