Goiás e Minas Gerais firmam acordos de minerais críticos com os EUA em desafio à estratégia do Governo Federal
Estados que detêm as maiores reservas brasileiras de terras raras e lítio buscam cooperação técnica e isenções fiscais sob a administração Trump
Os estados de Goiás e Minas Gerais, detentores das maiores reservas brasileiras de terras raras e lítio, respectivamente, estão avançando de forma independente na assinatura de acordos de cooperação em minerais críticos com os Estados Unidos. O governador goiano, Ronaldo Caiado, assinou nesta quarta-feira (18) um protocolo preliminar visando o mapeamento e o desenvolvimento tecnológico de suas reservas de terras raras, enquanto Minas Gerais planeja formalizar um acordo similar para o lítio nesta quinta-feira (19). Embora não concedam direitos de exploração — competência exclusiva da União —, as parcerias estaduais buscam acelerar licenciamentos ambientais e oferecer isenções fiscais a empresas americanas, funcionando como uma tática de pressão política sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que tem resistido a um acordo bilateral amplo por exigir garantias de processamento e refino em solo nacional. A movimentação ocorre em um contexto de alinhamento político dos governadores de direita com a administração de Donald Trump, que já formalizou propostas de cooperação mineral ao Planalto e destinou, via DFC, US$ 565 milhões para o projeto Serra Verde em Goiás, evidenciando o interesse estratégico de Washington em assegurar cadeias de suprimentos na América do Sul diante da resistência nas negociações federais.
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