Estatais chinesas retomam busca por petróleo russo sob isenção de sanções para contornar escassez no Oriente Médio

Sinopec e PetroChina avaliam compras na janela de 30 dias dos EUA; prêmio do óleo russo sobe, mas segue mais competitivo que o brasileiro Tupi

Publicado em 17 de março de 2026 às 21:26
Pedro

As gigantes petrolíferas estatais da China, Sinopec e PetroChina, retomaram as negociações para a compra de cargas de petróleo russo após um hiato de quatro meses, aproveitando uma isenção temporária de 30 dias nas sanções dos Estados Unidos, iniciada em 12 de março, para tentar contornar a severa restrição de suprimentos provocada pela guerra no Oriente Médio. Embora nenhum acordo tenha sido formalizado até esta terça-feira (17), fontes do setor indicam que as transações são iminentes, uma vez que o óleo russo — mesmo com os diferenciais da mistura ESPO (Extremo Oriente) revertendo de fortes descontos para um prêmio de US$ 8 por barril sobre o Brent de julho — permanece significativamente mais barato do que alternativas concorrentes, como o grau brasileiro Tupi, avaliado com um prêmio de US$ 12 a US$ 15. As companhias estatais avaliam a viabilidade de concluir pagamentos e entregas dentro da restrita janela legal de Washington para cargas já carregadas, considerando inclusive a aquisição de barris já estocados por refinarias independentes chinesas (teapots), para as quais a revenda do insumo se tornou repentinamente mais lucrativa do que o próprio refino. O movimento marca o retorno estratégico das estatais, que haviam suspendido as compras em outubro após sanções contra Rosneft e Lukoil, enquanto as refinarias independentes — responsáveis por elevar as importações marítimas da Rússia ao recorde histórico de 1,92 milhão de barris por dia em fevereiro — devem se retrair diante do Brent acima de US$ 100, escorando-se nos estoques de óleo russo e iraniano formados a preços mais baixos antes do estouro do conflito.

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