Entidades do agronegócio brasileiro demonstram preocupação com entraves na exportação de soja para a China
Abiove e Anec buscam soluções após Cargill paralisar embarques devido a novas exigências fitossanitárias e embate com o Ministério da Agricultura
As associações brasileiras do agronegócio Abiove e Anec manifestaram preocupação e afirmaram, em nota conjunta divulgada nesta quinta-feira, que estão buscando soluções junto às autoridades para garantir o fluxo comercial de soja para a China, após a Cargill paralisar seus embarques para o país asiático. O impasse teve início quando Paulo Sousa, chefe da Cargill na América Latina, declarou que o Ministério da Agricultura do Brasil (Mapa) adotou um rigoroso modelo de avaliação sanitária para rastrear pragas e ervas daninhas a pedido do governo chinês, dificultando o cumprimento das regulamentações por parte das tradings. A relevância do gargalo é acentuada pelo fato de a Cargill ter sido a principal exportadora para a China no ano passado, responsável por 14 milhões das 108,7 milhões de toneladas embarcadas pelo Brasil, em um mercado que absorve cerca de 80% das exportações nacionais do grão. Em resposta, o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, rebateu as alegações em entrevista à CNN Brasil, classificando a postura da empresa como "irresponsável" e garantindo que o governo não flexibilizará o sistema de defesa sanitária para contornar protocolos que barram sementes de plantas daninhas inexistentes no país importador. O ministro ressaltou que a resolução do caso exigirá negociações conjuntas entre exportadores, compradores e governos, um desafio que surge justamente durante o período de pico sazonal das exportações brasileiras de soja.
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