Cotações do petróleo despencam após postagem apagada sobre escolta naval dos EUA no Estreito de Ormuz
Secretário de Energia recua após anunciar operação para petroleiros; Pentágono ainda avalia viabilidade e armadores mantêm recusa de trânsito na região
Os contratos futuros do petróleo WTI, referência nos Estados Unidos, registraram uma queda abrupta nas negociações da tarde desta terça-feira, impulsionados por uma publicação nas redes sociais do secretário de Energia dos EUA, Chris Wright. Na postagem, que foi apagada logo em seguida, Wright afirmava que a Marinha americana havia escoltado um petroleiro através do Estreito de Ormuz. O impacto no mercado foi imediato e contundente: o contrato de curto prazo do WTI recuou para a casa dos US$ 81 por barril no início da tarde, acumulando uma expressiva desvalorização de 14% em relação ao preço de fechamento de segunda-feira. Até o momento, o Departamento de Energia dos EUA não emitiu comentários oficiais sobre o episódio.
A confusão na comunicação governamental contrasta diretamente com as declarações mais cautelosas do alto escalão militar americano. Mais cedo nesta mesma terça-feira, o general Dan Caine, presidente do Estado-Maior Conjunto dos EUA, esclareceu durante um briefing no Pentágono que as forças armadas estão apenas na fase inicial de avaliação sobre a viabilidade técnica e tática de fornecer escoltas navais para navios-tanque de petróleo e GNL no Golfo Pérsico. Segundo o general, o comando militar está debruçado sobre uma série de opções para estabelecer as condições operacionais necessárias, mapeando os recursos exigidos, a estrutura de comando e controle, além dos riscos envolvidos e suas respectivas mitigações. As conclusões dessa complexa análise serão posteriormente apresentadas ao presidente Donald Trump e ao secretário de Defesa, Pete Hegseth, antes de qualquer deliberação.
Enquanto o governo americano debate soluções de segurança para reabrir a via, a paralisia logística na rota comercial de energia mais crítica do mundo segue praticamente inalterada. A aversão ao risco por parte da iniciativa privada continua sendo o principal gargalo. Durante um fórum marítimo realizado em Nova York na segunda-feira, proprietários de navios-tanque foram unânimes em afirmar que não autorizarão o trânsito de suas embarcações pelo Estreito de Ormuz sob as condições atuais, considerando inaceitável o nível de risco de segurança imposto pelo conflito na região.
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