CEO da Saudi Aramco alerta para "consequências catastróficas" com bloqueio contínuo no Estreito de Ormuz

Amin Nasser destaca efeito dominó na economia global; petroleira desvia fluxos para o Mar Vermelho e usa estoques para contornar corte massivo da Opep+

Publicado em 10 de março de 2026 às 17:50
Pedro

O mercado global de petróleo e a economia em geral enfrentarão "consequências catastróficas" se o fluxo de óleo cru através do Estreito de Ormuz permanecer interrompido, alertou nesta terça-feira o CEO da Saudi Aramco, Amin Nasser. A guerra no Oriente Médio, desencadeada por ataques conjuntos dos EUA e de Israel ao Irã no final de fevereiro, paralisou quase totalmente o tráfego na região, isolando alguns dos maiores produtores mundiais de sua principal rota de exportação. Essa interrupção logística, combinada ao rápido esgotamento da capacidade de armazenamento, já forçou membros-chave da Opep+ — incluindo Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Kuwait, Bahrein e Iraque — a reduzirem sua produção coletiva em um volume estimado entre 6,2 e 6,9 milhões de barris por dia (bpd), segundo cálculos da Argus baseados nos níveis de fevereiro.


Nasser enfatizou que o estrangulamento do estreito deflagrou uma severa reação em cadeia, afetando não apenas o frete marítimo e os seguros, mas gerando um drástico efeito dominó sobre a aviação, a agricultura, a indústria automotiva e outros setores produtivos. Em resposta às ameaças de segurança representadas por mísseis iranianos e ataques de drones contra a infraestrutura de energia do Golfo Pérsico, a Arábia Saudita iniciou o fechamento preventivo de diversos campos de extração offshore. Fontes do mercado indicam que a Aramco interrompeu as operações nos campos de Safaniya, Marjan, Zuluf e Abu Safa, resultando em um corte direto estimado de 2 a 2,5 milhões de bpd.


Embora não tenha confirmado os números exatos ou nomeado os campos afetados, o CEO garantiu que a estatal está utilizando a capacidade de 7 milhões de bpd de seu oleoduto Leste-Oeste para transferir o petróleo cru até a cidade costeira de Yanbu, no Mar Vermelho, criando uma rota de escoamento alternativa que evita completamente o Estreito de Ormuz. A estratégia atual da petroleira prioriza o envio das misturas Arab Light e Extra Light para a região oeste, deixando as qualidades médias e pesadas temporariamente fora de operação. Para manter a estabilidade do fluxo logístico e cumprir a maior parte de seus contratos, a Aramco também tem recorrido intensamente às suas reservas estratégicas de armazenamento, tanto dentro quanto fora do reino saudita.

Gostou do artigo? Compartilhe

Deixe um comentário

Comentários (0)

Ainda não há comentários.