CEO da Saudi Aramco alerta para "consequências catastróficas" com bloqueio contínuo no Estreito de Ormuz
Amin Nasser destaca efeito dominó na economia global; petroleira desvia fluxos para o Mar Vermelho e usa estoques para contornar corte massivo da Opep+
O mercado global de petróleo e a economia em geral enfrentarão "consequências catastróficas" se o fluxo de óleo cru através do Estreito de Ormuz permanecer interrompido, alertou nesta terça-feira o CEO da Saudi Aramco, Amin Nasser. A guerra no Oriente Médio, desencadeada por ataques conjuntos dos EUA e de Israel ao Irã no final de fevereiro, paralisou quase totalmente o tráfego na região, isolando alguns dos maiores produtores mundiais de sua principal rota de exportação. Essa interrupção logística, combinada ao rápido esgotamento da capacidade de armazenamento, já forçou membros-chave da Opep+ — incluindo Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Kuwait, Bahrein e Iraque — a reduzirem sua produção coletiva em um volume estimado entre 6,2 e 6,9 milhões de barris por dia (bpd), segundo cálculos da Argus baseados nos níveis de fevereiro.
Nasser enfatizou que o estrangulamento do estreito deflagrou uma severa reação em cadeia, afetando não apenas o frete marítimo e os seguros, mas gerando um drástico efeito dominó sobre a aviação, a agricultura, a indústria automotiva e outros setores produtivos. Em resposta às ameaças de segurança representadas por mísseis iranianos e ataques de drones contra a infraestrutura de energia do Golfo Pérsico, a Arábia Saudita iniciou o fechamento preventivo de diversos campos de extração offshore. Fontes do mercado indicam que a Aramco interrompeu as operações nos campos de Safaniya, Marjan, Zuluf e Abu Safa, resultando em um corte direto estimado de 2 a 2,5 milhões de bpd.
Embora não tenha confirmado os números exatos ou nomeado os campos afetados, o CEO garantiu que a estatal está utilizando a capacidade de 7 milhões de bpd de seu oleoduto Leste-Oeste para transferir o petróleo cru até a cidade costeira de Yanbu, no Mar Vermelho, criando uma rota de escoamento alternativa que evita completamente o Estreito de Ormuz. A estratégia atual da petroleira prioriza o envio das misturas Arab Light e Extra Light para a região oeste, deixando as qualidades médias e pesadas temporariamente fora de operação. Para manter a estabilidade do fluxo logístico e cumprir a maior parte de seus contratos, a Aramco também tem recorrido intensamente às suas reservas estratégicas de armazenamento, tanto dentro quanto fora do reino saudita.
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