CEO da QatarEnergy confirma perda de 17% da capacidade de GNL do Catar após ataques iranianos
Prejuízo anual é estimado em US$ 20 bilhões; estatal declara força maior em contratos de longo prazo com Europa e Ásia por até cinco anos
Em entrevista à Reuters nesta quinta-feira (19), o CEO da QatarEnergy e Ministro de Estado para Assuntos de Energia, Saad al-Kaabi, revelou que os ataques sem precedentes realizados pelo Irã comprometeram 17% da capacidade de exportação de gás natural liquefeito (GNL) do Catar, o que representa uma perda de receita anual estimada em US$ 20 bilhões. Segundo o executivo, os bombardeios danificaram severamente dois dos 14 trens de GNL do país e uma de suas duas unidades de processamento de gás para líquidos (GTL), resultando na paralisação de 12,8 milhões de toneladas por ano (Mtpa) de GNL por um período de reparo projetado entre três a cinco anos. Diante da magnitude dos danos — estimados em US$ 26 bilhões em ativos construídos —, a QatarEnergy formalizou a declaração de força maior em contratos estratégicos de longo prazo com destinos como Itália (Edison), Bélgica (EDFT), Coreia do Sul (KOGAS) e China (Shell), afetando diretamente unidades onde as gigantes americanas ExxonMobil (com fatias de 30% a 34%) e Shell são parceiras. Al-Kaabi alertou que o impacto transcende o GNL, com quedas previstas de 24% nas exportações de condensados e reduções na oferta de GLP, nafta e hélio — este último crítico para a indústria de semicondutores sul-coreana —, afirmando que a imagem da região como um porto seguro foi abalada e que o setor energético global deve ser mantido fora do raio de hostilidades entre Irã, Israel e EUA.
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