Arábia Saudita, EAU e Bahrein juntam-se a Iraque e Kuwait em corte de produção; bloqueio em Ormuz retira até 6,9 mi de bpd do mercado

Paralisação do tráfego marítimo devido à guerra no Oriente Médio força produtores da Opep+ a fechar campos e acionar força maior; Brent supera US$ 100 por barril

Publicado em 9 de março de 2026 às 20:28
Pedro

A Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos (EAU) e o Bahrein uniram-se ao Iraque e ao Kuwait na redução da produção de petróleo cru. O bloqueio virtual do tráfego de petroleiros no Estreito de Ormuz, impulsionado pela guerra entre EUA, Israel e Irã, isolou os produtores da Opep+ de sua principal rota de exportação e esgotou rapidamente a capacidade de armazenamento local. Segundo estimativas, as restrições logísticas forçaram a retirada de 6,2 a 6,9 milhões de barris por dia (bpd) de oferta do mercado global. A Arábia Saudita fechou campos offshore cruciais, cortando até 2,5 milhões de bpd, enquanto tenta desviar fluxos para o porto de Yanbu, no Mar Vermelho. O Iraque e o Kuwait, com exportações praticamente paralisadas, redirecionaram volumes para refinarias domésticas operando com drásticas reduções de extração e já emitiram declarações de force majeure.


Nos Emirados Árabes Unidos, a estatal Adnoc também reduziu sua produção offshore, embora consiga contornar parcialmente o bloqueio enviando volumes acima da capacidade nominal através do oleoduto Adcop, que transporta o petróleo cru das instalações terrestres de Habshan, em Abu Dhabi, diretamente para o porto de Fujairah, no Golfo de Omã, desviando completamente do Estreito de Ormuz. O cenário é mais crítico no Bahrein, onde a Bapco Energies declarou força maior após a refinaria de Sitra ser atingida por um ataque. O estrangulamento conjunto dessa infraestrutura paralisou quase totalmente a navegação comercial na região, desencadeando um rali agudo nos preços. Como reflexo imediato da perda dessa oferta massiva no Golfo Pérsico, os contratos futuros do Brent dispararam e ultrapassaram a marca de US$ 100 por barril na segunda-feira, registrando um dos maiores ganhos diários já vistos na história do mercado de energia.

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