Ammonia Europe denuncia proposta de remoção de tarifas e alerta para enfraquecimento da indústria da UE

Entidade critica "soluções de curto prazo" para mitigar impacto do CBAM nos fertilizantes e aponta que medida ignora a crise nos custos de energia

Publicado em 21 de janeiro de 2026 às 19:19
Pedro

A Ammonia Europe, órgão que representa a indústria, posicionou-se firmemente contra a proposta da Comissão Europeia de remover as tarifas de importação de nação mais favorecida (MFN) sobre a amônia. A medida, sugerida após uma reunião de ministros da agricultura da UE em 7 de janeiro, visa mitigar o impacto do Mecanismo de Ajuste de Carbono na Fronteira (CBAM) sobre os preços dos fertilizantes, mas foi classificada pela entidade como uma "solução de curto prazo" que falha em abordar as causas reais da crise de competitividade europeia: os altos custos de energia e a proteção contra o vazamento de carbono.


A associação contestou o argumento da Comissão de que os preços dos fertilizantes permanecem 60% acima da média de 2020, destacando que o custo do gás natural também subiu drasticamente. Enquanto o gás de referência europeu custava em média US$ 3,20/mn Btu em 2020, o contrato foi avaliado em US$ 12,50/mn Btu em 19 de janeiro. Segundo a entidade, remover tarifas apenas "recompensa importações produzidas com energia mais barata e maior intensidade de carbono", enfraquecendo a base industrial da UE.


Além dos fertilizantes, a Ammonia Europe alertou que a remoção tarifária prejudicaria outros setores que dependem da amônia, como farmacêuticos, plásticos e explosivos, contradizendo a própria classificação da UE que listou o produto como "crítico" para a economia do bloco. Houve também críticas à confusão gerada em torno do "Artigo 27a", mencionado pela Comissão, que permitiria a suspensão temporária do CBAM em casos de danos severos ao mercado. A cláusula, no entanto, ainda precisa ser formalmente aprovada pelo Parlamento Europeu e pelo Conselho da UE.

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